Hoje é Dia das Mães.

Corta.

Duas semanas atrás. Noite de domingo. Casa dos sogros, todos dormindo. A TV ligada, nela o Chico Buarque revelando as histórias por trás das suas canções infantis. Tão tarde já, mas como desgrudar os meus olhos daqueles olhos tão azuis? A bailarina, o jumento, a galinha, o caderno, até “João e Maria”, que não foi feita para as crianças, mas que as crianças adoram. Chico, e este seu dom de sentir e de fazer a gente sentir, fala sobre o nascimento de cada composição. Escolhe uma, conta um causo, depois canta. Inteirinha. Eu canto junto.

(sim, porque se você, como eu, tem filhos, sabe estas e muitas outras músicas infantis. Afinal, não basta ser mãe, é preciso saber cantar!)

De todo o repertório, apenas uma eu não conhecia.

Chico conta: a valsa nasceu em uma noite em que ele cuidava do neto Franscico, para que sua filha Helena pudesse assistir a um show no Canecão. Quando ela chega para buscar o menino, Chico se emociona ao ver ela tirar de dentro do berço uma blusa, deixada ali para que, durante sua ausência, o pequeno pudesse sentir seu cheiro. Ele emenda outra historinha. É de quando o menino fez um ano e foi enfim para a creche. Chico perguntou para aquele tico de gente “o que você faz lá?” e o tico respondeu “espero a mamãe”.

E enfim canta Chico.

Você você. Uma canção edipiana. Aqui na voz de Manuela Doris, cantora italiana apaixonada por nossas criações. 

Corta. Dia das Mães. Todo dia, todo dia.

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