Segundo evento da nossa maratona! Pré-estreia do filme O Estranho em Mim, em parceria com a Mostra Internacional de Cinema de São Paulo.

Convidamos casais grávidos, obstetras, pediatras, psicólogos, doulas, enfermeiros, psiquiatras, parteiras para uma sessão gratuita, com um bate-papo sobre “depressão pós-parto” depois, que é o tema do filme:

Rebecca e seu namorado Julian esperam a chegada de seu primeiro filho. O mundo deles parece perfeito quando Rebecca dá à luz um menino saudável. Mas, ao invés do amor incondicional que esperava sentir, ela se vê imersa num redemoinho de sensações de impotência e desespero. O próprio filho lhe parece um estranho.

Foi uma sessão não-CineMaterna, à noite, com luz e som regulares.

Fizemos uma abertura a três: eu, Renata de Almeida, da Mostra, e Christian Petermann, o crítico de cinema que nos assessora. Aliás, converso com a Renata há dois anos, por e-mail, mas nunca havíamos nos encontrado antes. Para mim, cinéfila e fã da Mostra, foi especial conhecê-la pessoalmente.


Na abertura do filme, Christian comentou que o filme é extremamente feminino: roteiro e direção femininos (Emily Atef), protagonista mulher, o que dá uma sensibilidade e empatia instantânea.


Na plateia, em torno de 90 pessoas puderam assistir ao filme em primeira mão.


O bate-papo depois foi mediado pelo Dr Alexandre Faisal, ginecologista, obstetra e especialista em psicossomática e contou com a participação de Tania Novinsky Haberkorn, psicóloga e sócia do Instituto Mãe Pessoa.


Dr Alexandre introduziu o tema, informando que a estatística nacional para depressão pós-parto é de 10 a 25% dos casos. Falou do “puerperal blues”, o sentimento comum a várias que acham que não vão dar conta do recado: “Existe uma alta expectativa em relação à maternidade”. Enfatizou a importância do aleitamento materno, relatando que quando a mãe se liga ao bebê, o índice de depressão é menor.


Tatiana, mãe de um bebê de pouco mais de um ano, deu seu depoimento por ter passado pela depressão pós-parto. “Eu tinha de tudo, o meu mundo era perfeito e eu infeliz”, contando que sentia culpa por não doar o amor completo ao seu bebê.

O bate-papo seguiu, com falas de profissionais de diversas áreas: psicólogos, obstetra, pediatra, doula e dúvidas de pacientes. Em resumo, os principais pontos abordados:

– O nome do filme é a chave para ser pensada. A chegada do estranho, o olhar sobre o estranho – e é necessário que o início seja assim, para a mulher se reinventar e se reconhecer.

– É importante não invadir a mãe e respeitar o ritmo para que cada uma encontre a sua maternidade.

– Sempre que possível, ainda na gravidez, levar a gestante a perceber quais serão os problemas a serem enfrentados no pós-parto.

– A rede de apoio e ajuda faz toda a diferença no pós-parto.

– Muitos diagnósticos são feitos no consultório do pediatra. É possível reconhecer quando a mãe e bebê têm um problema pela mamada, pela postura e olhar materno.

– Obstetra ressalta a dificuldade atual da mulher de hoje em trazer o parceiro para dentro do relacionamento – e questiona: por que a mulher é sozinha na licença-maternidade?






O debate acabou às 23h – ou melhor, teve que ser interrompido, pelo tardar da hora. Acordei às 4h30 da manhã, pois pegava um voo às 6h para Fortaleza, deixando para trás o frio de São Paulo. Mas fui de coração quente e cabeça fervendo com mais ideias…

0 Comments

  1. Avatar
    Anônimo

    Muito bacana o trabalho! Fiquei com vontade de ter estado lá! Espero que aconteçam outros para que eu possa participar!
    Um abraços, Mariana.

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