Somos oito mulheres responsáveis por fazer acontecer mais de 100 sessões de cinema, em 50 cidades de norte a sul, cuidando de 350 voluntárias que recebem 3.000 famílias por mês. Trabalhamos em uma ONG, a Associação CineMaterna, cuja missão é olhar para a mãe recém-nascida e tentar tirá-la do isolamento que a maternidade gera, através de um entretenimento que é o cinema.

Ouvi um podcast da Harvard Business Review (HBR) sobre “Ambiente de trabalho em ONG“. Este episódio é um bate-bola com Joan Garry, uma especialista em ONGs. Joan comenta sobre a grande diferença em trabalhar para uma ONG: a paixão pela missão da entidade. Nestas entidades não há grandes remunerações ou bônuses, mas há uma forte identidade de valores. Se os problemas no trabalho (conflitos, liderança etc.) são os mesmos de qualquer empresa, o clima é diferente por conta desta identidade que liga as pessoas. 

Quem trabalha para uma ONG deve se considerar embaixador de uma causa: o que a organização faz para tornar o mundo melhor. Ligar-se a uma causa que ressoe, gera orgulho nas pessoas que trabalham ali ou são voluntárias. Existe abundância de paixão.

Ao compartilhar este podcast com as sete mulheres que compõem o que chamamos de “matriz” do CineMaterna, recebi os depoimentos mais amorosos:

Conheci o CineMaterna pouco depois que minha filha nasceu e achei INCRÍVEL. Não consegui me organizar para ir na sessão na época e tenho certeza que se tivesse ido, a fase de “aprender a ser mãe” teria sido mais leve. (…) Aqui me sinto em casa <3 e acredito muito no trabalho que realizamos. Que sorte a minha 🙂 – disse Aline Adami, que está à frente do relacionamento com os mais de 100 shoppings centers.

Conheci e fui em muitas sessões com minha filha. Me candidatei a voluntária e fiquei. Durmo pensando em que posso fazer pra ajudar e acordo sorrindo – completou Renata Barrios, que coordena a equipe de voluntárias.

É muito gratificante fazer parte de uma engrenagem que ajuda mães/mulheres neste momento tão desafiador/solitário. Não tive isso na minha época e confesso que me sentia muito sozinha, com tantas inseguranças. (…) Eu falava com qualquer pessoa nos comércios perto de casa, da padaria à borracharia, rs. Saber que podemos dar colo para estas mães é muito lindo! – lembrou Juliana Freire, que cuida das finanças da entidade.

Uma amiga falava do seu emprego burocrático na área financeira e comentou que “esse povo tem que entender que eles estão em uma empresa, não são uma causa!”. Putz, pensei, que sorte a minha! É muito gratificante trabalhar por uma causa! Nem sempre temos a oportunidade de trabalhar em um lugar com o qual a gente se identifica, com pessoas que têm os mesmos valores que a gente – contou Rossana Romualdo, que gerencia a programação de filmes e projetos especiais.

Sempre tive a sorte de trabalhar com o que eu gosto de fazer, mas aqui é tudo muito mais leve. Sou mais feliz!
Hoje eu não sei se eu caberia no mercado, porque o meu universo se expandiu tanto, que o que eu fazia antes já não faria mais sentido agora…
– comentou Mirian Rodrigues, responsável pela captação de recursos na ONG.

Eu fiquei tão feliz de entrar para a ONG que ainda não saí do estado de graça. Acordo e sorrio quando lembro que tenho trabalho a fazer e qual é esse trabalho. Vou dormir pensando o que posso fazer de legal no dia seguinte. (…) Me identifico tanto com a causa, atendo as mães, dou colo para elas e faço as postagens – e tudo o mais – com um amor que mal cabe em mim. Acho que a melhor definição do trabalho foi dada pelo meu filho: “A mamãe espalha amor” – compartilhou a mãe deste menino sábio, Tatiane Cotrim, que se relaciona com o público.

(…) Em empresas, cuidei da missão social da marca, mas quando o negócio vai mal, o projeto social é o primeiro a perder investimento. É muito frustrante. Agora entendo a diferença de um projeto social de empresa e o projeto social de uma ONG: o amor por um propósito. Vejo tanta Pink (voluntária) apoiando e defendendo a causa, que nos toca profundamente, porque somos mães e nos vemos naquelas que frequentam o CineMaterna. Me reconheço diariamente nestas mães e quero ajudá-las. É trabalho sim, mas é mais que isto. Muito mais… – reflete Fabíola Lupinari, que cuida das voluntárias, carinhosamente chamadas de Pinks.

A partir da esquerda: Renata, Juliana, Rossana, Aline, Tatiane, Mirian e Fabíola, em uma reunião de trabalho
(eu, fotógrafa, não gosto de sair em fotos, rs)

Um pouco de história do CineMaterna: há 11 anos, surgimos como ONG, mas inicialmente, não estava exatamente claro se esse era o “formato jurídico” mais adequado. Reconhecíamos nossos princípios, mas naquela época, a questão materna recebia pouca luz. Hoje considero que ser ONG é nossa essência, é o que nos mantém de pé nas turbulências. 

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