Foram quase três semanas sem site, nosso principal meio de comunicação com o público. É nele que você encontra a agenda das sessões, as enquetes, as perguntas frequentes, é onde nos apresentamos.

Tudo começou porque um vírus no servidor (serviço contratado para disponibilizar a plataforma na internet) e deixou milhares de clientes no mundo sem site e impossibilitados de acessar seus dados. Levou uma semana para informarem aos clientes que sofreram uma invasão. Mesmo depois deste informe, os clientes continuaram às cegas, sem saber a extensão e a gravidade do incidente, quanto tempo ficariam fora do ar, se haveria conserto. E esta, talvez, tenha sido uma das principais dificuldades para agirmos: não sabíamos o tamanho e prazo do plano de contingência que deveríamos desenhar. Ficamos quase uma semana remendando o problema (leia-se, esclarecendo centenas de dúvidas, o dia inteiro) até assumir que era muito sério e que precisávamos ter ferramentas de suporte para nos apoiar, no caso, este blog.

Quando o site saiu do ar, em 23 de abril, Marcela Santos, nossa profissional de T.I. estava de férias. Fora do Brasil. Nas suas maiores férias em seu tempo de CineMaterna. Confesso que bateu um pânico e deu medo: de perder site, histórico, público, voluntárias, colaboradoras, patrocinadores e apoiadores. Enfim, de sumir. Mesmo em férias, Marcela me deu o apoio técnico para entender e monitorar o que estava acontecendo. O que aprendi: o site é composto das telas (as máscaras das páginas) e de um banco de dados, que armazena as informações que alimentam as telas.

Sabíamos que o último backup que baixamos era do final de fevereiro (eles são feitos diariamente, mas ficam lá, no servidor, aquele que “quebrou”). O rombo, se o servidor não voltasse nunca mais, seria de dois meses, ou seja, perderíamos informações relativas a 220 sessões: enquetes, filmes, versões (dublado ou legendado), escalas de voluntárias e fotógrafos, ajudas de custo pagas, relatórios do que aconteceu nas sessões, o público de cada uma e os materiais a serem repostos. Sem contar a perda dos cadastros das mães, que, em dois meses, correspondem a aproximadamente 6.000. Estes números dão uma ideia do valor dos dados que procuramos preservar.

Começamos a agir, as ideias foram surgindo, a colaboração foi linda, de todas. Abrimos uma planilha e fomos armazenando as informações das sessões que aconteciam, o que chamamos de histórico. Imagine que temos armazenado em nosso sistema a quantidade de adultos e bebês das 7.500 sessões que já fizemos no CineMaterna nestes mais de 10 anos.

Nossa vida gira em torno do que chamamos de “admin”: por ele sabemos que sessões teremos até o final do ano, montamos enquetes, anotamos os filmes que vão passar e onde, registramos as escalas das voluntárias e seus dados bancários para depositar as ajudas de custo, enviamos relatórios das sessões ocorridas aos mais de 100 apoiadores, soltamos lembretes às mais de 60 coordenadoras de sessão, que nos relatam o que aconteceu em cada CineMaterna nas 50 cidades. E no meio deste turbilhão, ainda fomos premiadas com os Vingadores, que colocou mais um tanto de pressão no atendimento ao público: a crise aconteceu no apogeu do filme mais solicitado dos últimos tempos.

Duas semanas depois que o site saiu do ar, Marcela de voltou das férias e decidimos que não dava mais para esperar. Resolvemos migrar de servidor e assumir que perdemos os dados de dois meses. Buscamos um novo fornecedor que atendesse nossas especificidades técnicas, escolhemos um e nossa gênia da informática começou seu trabalho de migração. Ops, péssimo serviço. Depois de um dia batendo cabeça, cancelamos e fomos para outro, bem mais caro – e nem por isso, melhor. Depois de mais um dia estressante, pendurada com o suporte técnico falando javanês, Marcela irritadíssima e frustrada com mais um obstáculo, encontra uma alternativa a seguir, que seria manual e demorada.

Ontem no final do dia, tudo pronto para o site voltar ao ar, antes de conectar com o banco de dados, Marcela espia pela última vez o falecido servidor. O que vou falar é bem técnico, mas acredite, deve ser comemorado. Ela conseguiu conectar com o servidor e ver nosso banco de dados, com backup do dia 23 de abril, ou seja, tínhamos todas as nossas informações salvas. Decidi com ela suspender a volta do site – afinal, o que seriam mais dois ou três dias depois de três semanas fora do ar? – para restabelecermos nossa história completa.

Hoje de manhã, para minha surpresa, recebo uma mensagem de que “estamos fazendo de tudo para voltar ainda hoje ao ar”. ESTAMOS? Plural? Tudo bem que Marcela está grávida, mas desconfio que a bebê ainda não programa. “Mozão”, seu marido, também “informático”, deixou seu trabalho de lado para apoiar a Marcela e dobrar a velocidade da migração. Assim, por carinho. Isso é o que o CineMaterna consegue do universo quando pede ajuda: amor.

Sabe que mais foi lindo? As sessões aconteceram, com bom público. E tod@as torceram, mandaram mensagens positivas e de apoio: o público, os shoppings, as voluntárias. Obrigada, gente. Este carinho é muito precioso.

Obs: não podia ficar sem o protesto final. Não usem a A2Hosting. Pior gerenciamento de crise que já vivenciei. O site está lá, vendendo serviços. E era ótimo, viu? Até não ser mais. Shame on you.