Paixão pelo trabalho?

Quem não pensa e repensa sua vida profissional, se o que está fazendo efetivamente lhe dá prazer, satisfaz, se é feliz? Li um interessante artigo sobre paixão pelo trabalho no suplemento do New York Times, que sai na Folha de São Paulo. Publicado em 12/10/09, editei o ensaio de Alina Tugend, cujo título ilustra este post:

(…) Estaremos caindo na armadilha de acreditar que nosso trabalho e nossas vidas devem ser sempre fascinantes e predominantes? Enquanto mudar de emprego e de profissão torna-se cada vez mais comum e profissões inteiras desaparecem, somos frequentemente obrigados a nos perguntar o que queremos fazer pelo resto de nossas vidas. É aí que entra a paixão. 


Paixão “é um estado de envolvimento total”, disse Mihaly Csikszentmihalyi, da Universidade de Claremont, na Califórnia. É quando estamos totalmente mergulhados em nossa atividade, sem olhar para o relógio, sem pensar no que os outros acham, simplesmente absorvidos pela experiência. Ele enumera vários fatores necessários para sentir-se bem sobre seu emprego ou sua vida. Dois dos principais são a sensação de controle pessoal de uma situação ou atividade e um equilíbrio entre sua capacidade e seu potencial, para que a empreitada não seja demasiado fácil nem difícil.

Peter Warr, do Instituto de Psicologia do Trabalho no Reino Unido, amplia esse conceito. Ele fala sobre as fontes externas de felicidade e infelicidade, não apenas no trabalho, mas na vida. Segundo ele, estas incluem ter certa sensação de poder, usar e expandir suas habilidades, desfrutar certa variedade, ter uma clara sensação de sua situação e fazer algo em que você acredita.

Talvez buscar uma paixão não seja tão ruim. Mas também vale lembrar que não há uma única maneira de encontrá-la, e a paixão de outra pessoa pode ser um tédio para você. (…) 


Claro que penso nisso frequentemente, olhando o que é minha vida profissional atual. E não tenho dúvida que hoje tenho paixão no trabalho, seja pelo lado cinéfilo, como mãe ou por minhas habilidades profissionais. Até escrever, que é algo que eu curto, eu faço! Mas eu tenho meus dissabores, dias difíceis, tarefas ingratas, obstáculos e desafios, que refletem tanto no lado pessoal quanto profissional. Sei que fazem parte do trabalho, que por vezes me desanimam ou me angustiam por um tempo.

Ironicamente, o texto foi publicado no Dia das Crianças e apesar de falar de um tema adulto, trata-se de nossa incessante busca pelo prazer, no sentido da alegria e felicidade “pura”, que para mim, é fascinantemente aproveitado e sentido pelas crianças.