Série “Maternidade Muda Tudo”

Sou Irene Nagashima, mãe de dois meninos, de 10 e de 13 anos. Formada em administração de empresas, eu era consultora em desenvolvimento em RH, após carreira em marketing. 

Prestes a ser mãe pela primeira vez, achei que tiraria de letra o puerpério. Imaginei que teria saudades de trabalhar, de voltar à minha forma profissional, mas algo tinha mudado depois da maternidade. Sentia falta de mim, daquela que adorava o que fazia e estava sempre pronta para enfrentar uma reunião de trabalho. A maior angústia era não poder ir ao cinema: da liberdade de escolher um filme, sentar em uma sala escura e deixar a mente viajar. 

Imagem de 2011, foto de Karin Michels

Quando desabafei com um grupo de mães sobre esta falta, surgiu a ideia de “invadir” uma sessão de cinema com nossos bebês. Foi um sucesso! Saímos do cinema e fomos para um café, onde ficamos por quatro horas papeando sobre nossa maternidade. Virou um programa semanal, que organizei com afinco. Elaborei o projeto do CineMaterna, apresentamos a uma rede de cinemas e, seis meses depois, lançamos a iniciativa. Isso foi em 2008.

O primeiro ano foi muito angustiante para mim: a permanente sensação de insegurança, a incerteza de futuro. Mas era desafiador, pois não existia um modelo de negócios como o nosso e usei minha experiência profissional para criar cada pedaço do empreendimento. Ver um grupo de mães voluntariar-se profissionalmente em torno de uma causa em que acreditava, mesmo sem saber se aquilo daria certo, foi extraordinário. 

12 anos depois, os desafios são diários e aumentam com o crescimento da iniciativa: problemas de logística, questões tecnológicas, dificuldades de relacionamento, entre outros. Os anos passam e a emoção é constante, rs. 

O home office é um desafio à parte. Ao mesmo tempo em que é maravilhoso poder acompanhar o crescimento dos filhos, é fundamental estabelecer um limite entre o pessoal e o profissional, pois a tentação de deixar uma parte invadir a outra é permanente. 

O CineMaterna foi um desvio não-planejado e muito feliz de carreira e, por que não, de maternidade!